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La La Land

Blog By Matilde Sousa

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30.03.24

Missão Greyhound: A pérola escondida da Apple Tv+


Matilde Sousa

Este filme devia vir com um aviso a dizer “atenção, preparem-se para muita ação, muito rápido” e, por isso, deixo-vos eu este aviso. Depois do desastre que foi Pearl Harbor, a Marinha Americana precisava de todos os ativos possíveis para a Segunda Guerra Mundial. Neste seguimento, o veterano um veterano da Marinha é nomeado capitão pela primeira vez, sendo incumbido da tarefa de proteger uma frota de 37 navios, com soldados e mantimentos, rumo à Inglaterra, enquanto atravessam um lugar conhecido como “O Buraco”, que nada mais é que uma zona do Oceano Atlântico em que os navios não têm cobertura aérea. 

Greyhound, é o nome do navio líder e do filme, que sendo uma história ficcional, é inspirado em acontecimentos reais da Batalha do Atlântico. É estrelado por Tom Hanks, que também escreveu o roteiro do filme, sendo baseado num livro de 1955 chamado “O Bom Pastor”. Este nome deve-se ao facto de o capitão do Greyhound ser como um pastor a tentar levar o seu rebanho à segurança. Tom Hanks traz emoção a todas as suas personagens, mas aqui também temos de falar do brilhantismo do seu roteiro. Este é um filme muito pequeno (com cerca de 1h20) e muita muita ação, com uma componente técnica, relacionada à Marinha. Tom Hanks revelou em entrevista que demorou 6 anos a escrever este roteiro e que uma das dificuldades foi a de conseguir transmitir os pensamentos do capitão, pois no livro, a maioria da trama passa-se dentro da sua cabeça, enquanto ele tenta tomar decisões para conseguir proteger os seus navios das ameaças alemãs. Num filme isso não é possível, mas o ator e roteirista conseguiu transmitir esta sensação a partir da reação dos seus subalternos e elementos dos navios, que recorriam constantemente ao capitão para saber as suas opiniões e decisões e os silêncios nesses momentos, em que o capitão está a tentar decidir e calcular os perigos, parecem intermináveis. Quase conseguimos ver as rodinhas a girar dentro da sua cabeça. Como já referi, este é um filme com conceitos muito técnicos e repetitivos e para o tornar interessante para os leigos, Tom Hanks teve que o humanizar. Essa humanização é feita, por exemplo, através da personagem Cleveland, o cozinheiro do capitão, que aparece para lhe relembrar das suas necessidades mais básicas, como comer uma refeição, o que parece impossível durante aquela missão. 

Falando agora em opções mais técnicas, durante o filme são usadas separações a preto, que nos dizem quantas horas faltam para os navios receberem apoio aéreo e em que momento do dia estão (first watch, morning watch, dog watch, etc). Essas separações têm a intenção de nos fazer sentir como se estivéssemos a ver um combate de box, para nos dar um sentido de continuidade. Não é percetível, a qualidade da imagem e da estética do filme é muito boa, mas a maior parte é gravada em cenário verde, uma vez que os barcos que eles necessitavam já não existiam. 

Entrei no filme um bocadinho reticente. A introdução às personagens é curta e a ação chega muito rápido. Mas ao chegar ao final do filme, já estava fascinada com as atuações, com a originalidade do argumento e com os pormenores que o tornam realmente bom, os pormenores de que falei aqui. O sentimento foi quase o de ver um documentário sobre a guerra e acho que é com essa predisposição que devem ir para Greyhound. 

 

Avaliação - ⅘ 

Por Matilde Sousa

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